#22 Porquê Black Jebena? A história por detrás do nosso nome
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Desde o dia em que abrimos a nossa torrefação, há uma pergunta que nos fazem mais do que qualquer outra.
«O que significa Jebena?»
O mundo do café nunca deixou de inventar novas formas de preparar café.
Nós escolhemos prestar homenagem a uma que nunca precisou de ser substituída.
Muito antes da máquina de espresso, do V60, da AeroPress, da Chemex, do sifão, da prensa francesa ou da moka, já existia a jebena.
É uma das cafeteiras mais antigas do mundo que continua a ser utilizada diariamente e, no entanto, muitas pessoas — mesmo dentro do mundo do café — nunca ouviram falar dela.
E se lhe dissesse que esta simples cafeteira de barro é capaz de preparar um café excecional sem filtros de papel, sem eletricidade e sem uma única peça descartável?
Feita de barro e moldada à mão, uma jebena pode durar gerações. O seu corpo arredondado absorve e distribui o calor de forma natural, enquanto o seu gargalo estreito ajuda a conservar a temperatura e a concentrar os aromas durante a preparação.
Cada curva tem um propósito.
Não é apenas um objeto bonito. É uma cafeteira desenhada com inteligência, aperfeiçoada durante gerações pelas pessoas que prepararam café com ela.
Num mundo que nos convida constantemente a comprar a próxima máquina, substituir peças desgastadas ou perseguir a última inovação, a jebena lembra-nos, com humildade, que um grande café não tem de ser complicado.
É elegante, naturalmente sustentável e está desenhada não só para preparar um café extraordinário, mas para reunir pessoas.
Preparar café numa jebena torna o processo mais lento. Convida à conversa, à paciência e a estar presentes. Lembra-nos que o café nunca foi apenas o que está dentro da chávena. Sempre foram também as pessoas que se sentam à volta dela.
Se me perguntassem por que escolhemos o nome Black Jebena, a resposta seria muito simples.
Para mim, nada representa melhor o café do que uma jebena.
Não porque seja antiga, mas porque representa tudo o que o café sempre foi: simples, partilhado e profundamente humano.
Quando começámos a construir a nossa torrefação, sabíamos que não era o nome mais fácil de escolher. Muito pouca gente tinha ouvido essa palavra. A maioria não sabia pronunciá-la e ainda menos sabiam o que era.
Poderíamos ter escolhido um nome familiar. Um que não precisasse de explicação.
Mas preferimos escolher um nome que merecia ser lembrado.
Sempre que alguém pergunta: «O que é uma jebena?», começa uma conversa. E, em muitos sentidos, isso é exatamente o que a jebena sempre fez. Muito antes de se tornar o nosso nome, já reunia pessoas à volta do café.
Para mim, a jebena merece ser reconhecida não como uma relíquia esquecida, mas como um dos grandes símbolos do café e o coração da cultura cafeeira etíope.
A sua forma não foi desenhada por um único inventor. Foi sendo aperfeiçoada ao longo de gerações, onde cada curva responde tanto a uma questão estética como funcional, até se tornar uma cafeteira que equilibra o calor, os aromas, o artesanato e o tempo com uma eficácia extraordinária.
Todos os dias, milhões de etíopes continuam a preparar o seu café numa jebena. Muitas das pessoas que cultivam alguns dos cafés mais admirados do mundo são também quem os prepara e desfruta todos os dias. Conhecem o café desde a quinta até à chávena. Em muitos sentidos, são os verdadeiros especialistas do café, embora a indústria raramente lhes tenha reconhecido esse papel.
Na Etiópia, o café não é cultivado unicamente para ser exportado; continua a fazer parte da vida quotidiana.
E, no entanto, apesar da sua história e de continuar a ser parte do dia a dia de milhões de pessoas, a jebena mal aparece nas conversas sobre café de especialidade. Celebramos máquinas de espresso, moinhos de precisão e os últimos métodos de extração, enquanto uma das cafeteiras mais antigas do mundo continua a passar despercebida.
Creio que, demasiadas vezes, a sua simplicidade foi confundida com primitivismo.
Enquanto o mundo do café costuma celebrar a inovação olhando sempre para a frente, a jebena lembra-nos que, por vezes, as maiores inovações são precisamente aquelas que resistiram ao passar do tempo.
Essa ideia está presente em tudo o que fazemos na Black Jebena.
O nosso nome é muito mais do que um nome. É uma homenagem à cafeteira que acompanhou gerações de amantes do café, às pessoas que continuam a utilizá-la todos os dias e a uma tradição que protegeu o café onde este nasceu.
Se alguém sai da nossa torrefação sabendo pronunciar a palavra jebena, compreendendo o que é, porque é importante e vendo-a não só como uma antiga cafeteira de barro, mas como um dos grandes métodos de preparação de café do mundo, então o nosso nome terá cumprido exatamente o propósito com que foi escolhido.
Porque, por vezes, o futuro do café não se encontra na próxima inovação.
Por vezes começa por lembrar de onde vem.
Abezash.
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